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quinta-feira, 17 de maio de 2007

Religiões de matriz africana (Pesquisa da Rádio Nederland)

Religiões de matriz africana

Programa 2 da série "Vozes Negras no Brasil"

Railda Herrero

Candomblé, umbanda e omolocô são religiões de matriz africana expressivas no Brasil. No entanto, pouco se conhece sobre elas.

Nesse programa, Célia Gonçalves, que é Makota (título sacerdotal de matriz africana) guia o ouvinte por esse mágico mundo pouco conhecido. Os 16 orixás mais famosos no Brasil, que vão sendo apresentados durante o programa, ajudam a desvendar esse "universo paralelo" no Brasil oficialmente cristão.

Célia Gonçalves nos conduz ao mundo das diferentes religiões de matriz africana num país convertido, que, por isso, deveria garantir mais espaço à diversidade de crenças.

No entanto, para ela, há uma "endemonização" das manifestações que não sejam as oficiais "no país em que o Estado reza".

"Não ser cristão nesse país é um peso muito grande", afirma a líder religiosa, que é empreendedora social e faz questão de afirmar que é mulher, negra e candomblecista.

Para Célia, o Brasil conta com a banalização do sagrado. "O meu sagrado é importante e o do outro não. No entanto, o Estado não contribui para reverter esse quadro."

Falando de discriminação religiosa, a sacerdotisa de matriz africana define o sincretismo de nosso país.

Célia Gonçalves
Célia Gonçalves (foto): "Não ser cristão no Brasil é um peso muito grande"
Entre outras análises, questiona a apropriação de elementos das religiões de matriz africanas nas celebrações dos neopentecostais.

Para Gonçalves, os negros sempre sofreram com a intolerância religiosa porque o Brasil não assume o quanto é plural e diverso, "um presente de Olorum".

No entanto, o quadro vem mudando, segundo ela, por influência do movimento negro. "Hoje os negros não têm mais vergonha de usar suas contas; hoje o povo do santo está mais ereto, com a cabeça erguida", diz a religiosa que é coordenadora nacional do Cenarab. O Conselho Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira está organizado em 18 Estados.

Ainda nesse programa, Frei Davi Santos, reconhecido afro-educador, analisa a relação da Igreja católica com as religiões de matriz africana.

Para ele, a primeira fase foi negativa. Na segunda fase, houve "o nascimento da consciência negra dentro da Igreja" e a fase atual "é a incorporação", pelo catolicismo, de religiões de todas as cores do país.

Orixás
A religiosidade dos orixás entre os Iorubá-Nagô (Benin) e dos Voduns entre os evê-fon (Togo/Benin), no Brasil conhecidos como os Jejes e Minas, está ligada à noção de família numerosa, originária de um mesmo antepassado, que engloba vivos e mortos.

Em princípio, seria um ancestral divinizado que, em vida, estabelecera vínculos que lhes garantiam um controle sobre certas forças da natureza, como o trovão, o vento, as águas ou a possibilidade de exercer atividades como a caça, o trabalho com metais e o conhecimento das propriedades das plantas e sua utilização.

Forças puras, imateriais, tornam-se perceptíveis aos seres humanos, incorporando-se neles. Voltando, assim, momentaneamente à Terra, entre os seus descendentes, durante as cerimônias de evocação, as divindades dançam diante deles e com eles, recebem seus cumprimentos, ouvem suas queixas, aconselham, concebem graças, resolvem as suas desavenças e dão remédios para suas dores e consolo para seus infortúnios.

A qualidade da relação entre um indivíduo e sua divindade protetora é diferente, caso ele se encontre na África ou no Novo Mundo. No Brasil, em cada terreiro existem múltiplas divindades pessoais reunidas em torno da divindade do terreiro, símbolo do reagrupamento do que foi disperso pelo tráfico negreiro.

A religião dos inquices, proveniente da África Banto (região situada ao longo da extensão sul da linha do equador - Congo, Angola, Zaire etc) na Bahia, no processo de sincretismo religioso interafricano, absorveu características rituais do modelo jeje-nagô, para o qual deu sua parcela de contribuição.

De acordo com essa procedência africana, os terreiros da Bahia se dividem em "nações", sendo as mais conhecidas: queto, nagô, ijexa, de raízes iorubá, jejê, de raízes evê-fon, Angola e Congo, de raízes banto.

(Definições do Museu Afro-Brasileiro da Bahia)


Fonte: Rádio Nederland (Alemanha)

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