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quinta-feira, 14 de junho de 2007

A cultura wicca na televisão

Fundador da Escola de Magia e Sacerdote Wicca, Daniel Atalla, acredita que a novela pode diminuir o preconceito com o tema.

A cultura celta e o universo mágico das bruxas vêm sendo abordados em ´Eterna magia´, novelas das 18h. Com pitadas de realismo e outras de ludicidade, as histórias fantásticas se tornaram fórmulas de sucesso. O fundador da Escola de Magia e Sacerdote Wicca, Daniel Atalla, fala sobre a repercussão e o mundo encantado da wicca

De uns tempos pra cá, a magia e o misticismo vêm se tornando temas recorrentes de novelas, filmes e livros. Prova disso foram os altos índices de audiência de ´Alma gêmea´ e ´O profeta´, folhetins que prepararam terreno para a trama de Elizabeth Jhin. Em ´Eterna magia´, o universo wicca é apresentado de uma forma leve, mágica e tenta derrubar estereótipos.

Para o Sacerdote e Mestre em Magia Natural e Wicca e fundador da Escola de Magia Luz da Lua, Daniel Atalla, as temáticas mística e esotérica foram ampliadas por causa do aumento do interesse por parte do público, que tem hoje maior acesso ao assunto. ´Acredito que essa abertura, que há tempos ocorre, contribui para o sucesso de novelas que abordam os temas esotérico, espiritual ou místico´, defende Atalla.

Cultura celta

Ele explica que, em ´Eterna magia´, a idéia inicial da novela não era abordar a wicca diretamente, mas a cultura celta, que originou muitas faces da magia. ´O termo wicca existe, porém com a abertura do tema para vários públicos, qualquer coisa relacionada à magia ou à bruxaria é chamada de wicca´. Ele ressalta que não se pode esquecer que magia envolve várias culturas e formas diferentes de lidar com a energia do universo.

Com pouco tempo que a novela está no ar, Atalla prefere ser prudente antes de lançar críticas ao tratamento que a autora vem dando à essa filosofia de vida. O estudioso acredita que a produção vai abordar a magia com nuanças da cultura celta e nem tudo será mostrado como é na vida real.

´Os grandes mistérios que envolve a magia são exatamente os segredos das tradições, que só são revelados a quem participa efetivamente da tradição ou ordem em questão´, argumenta.

Ao mesmo tempo que essa popularização é desejada para quebrar preconceitos como a de que magia é ´coisa do demônio´, ela é vista com preocupação pelos bruxos. O lado negativo, na sua opinião, é que as pessoas podem passar a acreditar que é permitido realizar feitiços e rituais sem ter a consciência de que a prática é coisa séria.

Pedidos para auxiliar na novela ainda não foram feitos à Escola de Magia, segundo Atalla, mas muitas pessoas tem enviado perguntas para os especialistas esclarecerem dúvidas.

´Alguns jornais, revistas, sites e programas de televisão nos procuram para entender o que ocorre na novela e isso, sem dúvida, é um caminho interessante. Mostra que o tema provoca a curiosidade, ao mesmo tempo que não quer ficar na ignorância. Isso também é um lado positivo do folhetim ´.

Bruxos

Na trama, a magia aparece como uma herança para algumas mulheres de Serranias, local onde a trama se desenvolve. Na história de Elizabeth Jhin, esse poder é passado por gerações de Valentinas. Para o fundador da Escola de Magia, a questão da herança familiar é real, porém a idéia de que apenas mulheres possuam esse tipo de privilégio não é verdadeira. ´A magia tem muita ligação com a lua, e por ter uma energia ligada diretamente à mulher, as pessoas confundem isso como um dom pertinente somente às mulheres. Não podemos esquecer que todos nós temos os lados feminino e masculino, independente do sexo´, afirma Atalla.

Preconceito

A figura da bruxa feiosa com verruga no nariz, que usa vassoura voadora e faz maldades mundo afora, é coisa do passado. No lugar, bruxinhos do bem, como no filme ´Harry Potter´ e no seriado ´Sabrina, A aprendiz de feiticeira´; e outras bonitas, como Pérola (Eliane Giardini), Eva (Malu Mader) e Nina (Maria Flor) em ´Eterna magia´.

´Acredito que essa diminuição do preconceito se deve ao maior conhecimento que as pessoas têm sobre os bruxos. Com esse conhecimento, as pessoas podem perceber que, como em qualquer religião, existem pessoas boas e más. Isso vai depender da índole e não da religião em si´.

Nesse processo, o reconhecimento da existência da ´magia do bem´ também foi um fator importante. Ao contrário da magia negra, esse feitiços são utilizados sem prejudicar alguém. ´Fazendo com consciência, respeito e amor será do bem. Lembrando que, sem prejudicar nada nem a ninguém, inclui interferir na vida de uma pessoa, sem o consentimento dela, por mais que você ache que está fazendo o melhor para ela´.

Nos bastidores...

Para criar esse universo cheio de significados e mágico da wicca, a equipe cenográfica da novela trabalhou bastante. Foram mais de 100 itens produzidos ou garimpados que fazem parte de um trabalho minucioso. Uma bola de cristal, um amuleto celta legítimo da Irlanda, varinhas de condão e até vassouras de bruxa enchem as prateleiras da simpática Toque de Magia, a lojinha esotérica de ´Eterna magia´.

´A loja é uma mistura de utensílios para bruxas e peças para turistas´, explica o produtor de arte da trama, Moa Batsow. ´Alguns objetos nós compramos, mas muitos nós produzimos. Como os anéis das valentinas, cujo desenho combina um símbolo celta, um coração e a letra V´, acrescenta.

A loja, toda vermelha, fica na cidade cenográfica, no Projac, e seu interior é verdadeiro, onde as cenas são todas gravadas. Nela, há até uma árvore, que já estava no terreno e foi aproveitada pela cenografia.

Karine Zaranza
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste

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