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sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Aos que têm dúvidas sobre o "cai-cai"

Pessoas sinceras e tementes a Deus me perguntam sobre o “cair no Espírito” e a “unção do riso”. São irmãos em Cristo, servos do Senhor, que desejam aprender a cada dia a sã doutrina. Perguntam, não para tentar pôr este articulista em apuros, mas porque querem ter um posicionamento definido, seguro, sobre o assunto.
O motivo da dúvida desses irmãos é compreensível, pois, quando estudamos sobre o avivamento de Azusa Street, em Los Angeles (1906), e acerca do início da Assembléia de Deus no Brasil (1911), são comuns as menções a momentos em que irmãos caíam sob o poder de Deus ou riam sem parar.
É claro que as experiências relacionadas com o Movimento Pentecostal — ainda que envolvam santos como William Seymour, Gunnar Vingren e Daniel Berg — não devem ser supervalorizadas, a ponto de as equipararmos às incontestáveis verdades da Bíblia (Gl 1.6; 1 Co 4.6; 15.1,2). Respeito esses pioneiros do pentecostalismo clássico, mas, ao escrever este artigo, minha fonte primária de autoridade continua sendo a Palavra de Deus.
A Bíblia é um livro de princípios, e estes devem ser considerados antes de qualquer análise de manifestações, independentemente das pessoas nelas envolvidas. E há vários princípios relacionados com o culto genuinamente pentecostal em 1 Coríntios 14. Citarei apenas alguns:1) O propósito principal das manifestações do Espírito em um culto é a edificação do povo de Deus (vv.4,5,12). Os risos intermináveis e as quedas que temos visto hoje edificam?2) A faculdade do intelecto não pode ser desprezada no culto em que o Espírito Santo age (vv.15,20). Ninguém genuinamente usado pelo Espírito perde os sentidos, deixa de raciocinar, etc.3) Não deve ser um culto que leve os incrédulos a pensarem que os crentes estão loucos (v.23). O que pensam os não-crentes que assistem aos vídeos disponíveis no YouTube, nos quais vemos pessoas caindo ao chão, rindo sem parar e rolando umas sobre as outras?4) O culto deve ter ordem e decência; tudo deve ocorrer a seu tempo: louvor, exposição da Palavra, manifestações do Espírito (vv.26-28,40). Um culto que não tem ordem nem decência são dirigidos pelo Espírito?5) No culto, deve haver julgamento, a fim de se evitar falsificações (v.29).6) Haja vista o espírito do profeta estar sujeito ao próprio profeta (leia de novo o item 2), é inadmissível que aconteçam manifestações consideradas do Espírito Santo em que pessoas fiquem fora de si (v.32).7) O Deus que se manifesta no culto não é Deus de confusão, senão de paz (v.33). Quando um show-man, como Benny Hinn, derruba os seus opositores com golpes de paletó, além da confusão que se instala no “culto”, sua atitude não é nada pacificadora. Além disso, quem recebe a glória, indutivamente, é o próprio “derrubador”.8) Se alguém cuida ser profeta ou espiritual, deve reconhecer os mandamentos do Senhor (v.37). O leitor está disposto a submeter-se aos mandamentos do Senhor? Ou é um daqueles que, irresponsavelmente, dizem: “Não podemos pôr Deus em uma caixinha”.Diante desses princípios, não há como considerar o “cair no Espírito” e a “unção do riso” como manifestações genuinamente do Espírito Santo!Mas, como ficam as experiências da Rua Azusa? E os relatos de Gunnar Vingren, em seu Diário do Pioneiro, editado pela CPAD? As informações contidas nesse livro têm como objetivo enfatizar que a glória de Deus era tão intensa, a ponto de ser impossível permanecer de pé. E a alegria era tão grande, que irmãos riam continuamente, externando tal alegria. E é bom observar que não há nenhuma menção ao fato de eles terem ficado inconscientes. Nem João assim ficou, ao ver Jesus em glória (Ap 1)!
Ademais, na Azusa e em Belém, as pessoas envolvidas nas manifestações em apreço estudavam a Bíblia, oravam, jejuavam, davam bom testemunho e se submetiam inteiramente à vontade de Deus. Não havia naquelas reuniões show-mans, paletó mágico, sopro ungido, olha-pro-seu-irmão-e-diga-isso-e-aquilo, etc. E mais: o nome de Jesus Cristo era glorificado!Não nos enganemos. O verdadeiro avivamento só ocorre quando há submissão à Palavra de Deus e ao Deus da Palavra.
Gostaria de fazer algumas considerações, a fim de que não haja dúvidas quanto ao nosso posicionamento segundo a Bíblia.
Reconheço que alguém, em um culto pentecostal, possa até sentir a glória de Deus de modo tão intenso, a ponto de não suportar ficar de pé. Isso já aconteceu com pessoas piedosas e tementes a Deus.João, o apóstolo, em Apocalipse 1.17, afirmou, referindo-se ao Senhor Jesus:
"E, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o Primeiro e o Último".
Da experiência vivida por João extraímos verdades importantes:1) Ele não perdeu, em momento algum, a consciência. Haja vista ouvir claramente a mensagem de Jesus. Não foi um transe ou algo parecido.2) Ele também não caiu ao chão estrebuchando-se ou debatendo-se.3) Ele caiu diante da presença real de Jesus Cristo glorificado. Quem poderia, diante de tamanha glória, permanecer sobre seus pés?4) João caiu aos pés de Cristo. Muitos não caem de joelhos, mas são derrubados, caindo para trás, de costas.Diante do exposto, não podemos banalizar a experiência em apreço. Temos visto nos dias de hoje verdadeiras aberrações.Muitos pensam que Deus se manifesta derrubando pessoas. Isso é um engodo!Lembremo-nos de que quem derruba pessoas à maneira Benny Hinn, lançando-as ao chão, é o Diabo (Mc 9.17-27; Lc 4.35).
Jesus a ninguém derruba. Mas alguém pode cair por não suportar a glória da sua presença, como aconteceu com o seu servo João.
Permaneçamos, pois, em pé diante do Senhor e valorizemos a genuína manifestação do Espírito Santo, baseada inteiramente na Palavra de Deus.
Fonte: Ciro Sanches Zibordi

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