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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

HERESIAS NEOPENTECOSTAIS

Pr. Airton Evangelista da Costa

Pastores e demais líderes evangélicos começam a demonstrar
preocupação diante das extravagâncias que estão surgindo nos púlpitos
brasileiros. A cada dia que passa surgem novas práticas anti e
extrabíblicas. Não uso, como alguns, o eufemismo de classificar esses
descaminhos de "modismos". Coloco-os no rol das heresias.

As críticas que antes corriam apenas à boca pequena, agora tomam
corpo e são divulgadas em sites de expressão. A Igreja Evangélica já
não pode calar diante de tamanha irracionalidade. Não desejamos ser
julgados pelo pecado de omissão. O povo brasileiro precisa saber que
tais tolices, como a seguir exemplificamos, estão à margem do
Evangelho que nos foi ensinado por Jesus. Na verdade, se trata de um
outro evangelho.

Em detrimento da Palavra, multiplicam- se os púlpitos festivos. Luzes,
coreografias, encenações inusitadas, objetos ungidos e mágicos,
entrevistas com demônios, amuletos, e outras mercadorias, tudo é
válido no desvario em que se envolvem pregadores e ouvintes.

A impressão que se tem é que o evangelho, da forma que foi anunciado
pelos apóstolos nos primeiros tempos, já não serve para os dias
atuais. Falar de pecado, arrependimento, perdão e santidade se tornou
antiquado, obsoleto, repreensível. É preciso entreter os ouvintes,
apresentar uma nova atração a cada semana, tudo semelhante ao que
vemos na sociedade consumista. Mas o que é preciso mesmo, e com
urgência, é botarmos a boca no trombone e denunciar o que estão
fazendo com o evangelho.

Ovelhas há que já perderam a noção do que é ser cristão. Não sabem
sequer por que Jesus morreu.

Têm o dízimo como meio de obter bênçãos espirituais e materiais. Não
conhecem o evangelho da renúncia, da resignação, do sofrimento, do
carregar a cruz, do contentar-se com o pouco. Certa vez conversando
com um jovem neopentecostal, ele disse: "Se sirvo a Jesus, quero ser
rico, ter uma boa casa e carro importado". Os anos se passaram e nada
disso aconteceu. Ele e seus pais pararam de ofertar e estão com a fé
em declínio. É o que está acontecendo: gazofilácios cheios, pessoas
vazias. O pai desse jovem me revelou que entrou nessa porque
acreditou nas entrevistas que falam de riqueza fácil. Agora ele
percebe que os que estão mais pobres não são convidados a falar de
sua pobreza.

São de arrepiar os relatos que se encontram no site
http://webbethel. com/gondim09. htm, de autoria do pastor Ricardo
Gondim. É difícil de acreditar que um grupo de cristãos, liderados
pelo pastor, alugue um helicóptero e, com dezenas de litros de óleo,
passe a ungir a cidade do Rio de Janeiro, derramando uma caneca de
óleo aqui, outra ali. Fico a meditar como o líder conseguiu envolver
irmãos de boa fé nesse projeto inusitado. O óleo da "unção" deve ter
caído em lugares pouco recomendáveis para o mister, tais como animais
mortos, fezes e valas fétidas.

Mais incrível é o uso de urina para demarcar território. Essa você
não vai acreditar. Está no referido endereço. Em Curitiba, um grupo
de irmãos, liderado pelo pastor da igreja, entendeu que deveria
demarcar seu território com urina, como fazem os leões e lobos. Após
beberem muita água para encher bem a bexiga, seguiram para pontos
estratégicos da cidade e passaram a URINAR. Quando li a notícia,
pensei que a palavra estivesse errada. Talvez fosse REUNIR. Mas era
urinar mesmo. Foram horas e horas urinando. O comboio de veículos
parava em pontos preestabelecidos, e, ali, a um sinal, um deles
aliviava a bexiga. Ora, esse tipo de lógica poderá levar irmãos a
situações mais degradantes ainda. Degradantes, patéticas e
irracionais. Algum irmão desse grupo poderá descobrir que determinada
espécie animal demarca seu território com suas próprias fezes.
Certamente não atentaram para o contido no Art. 233 do Código Penal
que trata da prática de "ato obsceno em lugar público", e estipula a
pena de detenção de três meses a um ano, ou multa. A jurisprudência
indica que a micção em lugar público configura o crime previsto no
referido Artigo, ainda que não haja intenção de vulnerar o pudor
público.

Pelas perguntas e respostas a seguir é possível comparar o evangelho
de ontem com o de hoje. Após ouvirem a pregação de Pedro, muitos,
compungidos, perguntaram: "Que faremos?" Pedro respondeu: "Arrependei-
vos", e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo" (At
2.37-38). A resposta, hoje, seria: "Participe das campanhas, faça o
sacrifício do dar tudo, e seja próspero". Atendendo à curiosidade de
Nicodemos, Jesus disse: "Quem não nascer de novo, não pode ver o
reino de Deus" (Jo 3.3). A resposta no outro evangelho: "Seja
dizimista fiel". Se alguém perguntasse a Tiago o que deveria fazer
para livrar-se dos encostos, ele prontamente diria: "Sujeitai-vos a
Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tg 4.7). A resposta do
evangelho festivo seria: "Use sal grosso, sabonete de descarrego,
vassouras, fitas, colares, cajados, pedras, e seja dizimista fiel".
Se o pecado do rei Davi - adultério e co-autoria num homicídio -
fosse nos dias de hoje, a culpa seria do encosto que estaria nele.
Uma série de exorcismos, cinqüenta quilos de sal grosso, uma dúzia de
sabonetes seriam necessários para pôr o encosto em retirada. Às
indagações sobre como ter o necessário à vida, Jesus respondeu: "Não
pergunteis que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis
inquietos. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos
serão acrescentadas" (Lc 12.29,31). A resposta no evangelho da
prosperidade: "Toque no lençol mágico".

O Apóstolo Paulo confessa que "orou três vezes ao Senhor" para que o
livrasse de um espinho na carne. Mas o Senhor, em vez de atendê-lo,
respondeu: "A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na
fraqueza". Reconhecendo a vontade soberana de Deus, Paulo se conforma
e continua com seu espinho. E declara: "Portanto, de boa vontade me
gloriarei nas minhas fraquezas", pelo que "sinto prazer nas
fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas
angústias por amor de Cristo. Pois quando estou fraco, então é que
sou forte" (2 Co 12.7-10). A orientação para esses casos, nos
púlpitos festivos, é a seguinte: "Exija de Deus seus direitos".
Sofredores como o Apóstolo, o servo Jó e muitos outros desconheciam
esse caminho "legal" para exigir direitos assegurados.

Pedir, do grego aiteõ, sugere a atitude de um suplicante que se
encontra em posição inferior àquele a quem pede. É esse o verbo usado
em João 14.13 - "E tudo quanto pedirdes em meu nome..." - e 14.14 -
"Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei". "Pedir", do
grego erõtaõ, indica com mais freqüência que o suplicante está em pé
de igualdade ou familiaridade com a pessoa a quem ele pede, como, por
exemplo, um rei fazendo pedido a outro rei. "Sob este aspecto, é
significativo destacar que o Senhor Jesus NUNCA usou o verbo aiteõ na
questão de fazer um pedido ao Pai", por ter dignidade igual Àquele a
quem pedia. (Jo 14.16; 17.9,15,20 - Fonte: Dic. VINE). Por essas e
outras, há muita gente confundindo alhos com bugalhos.

Repassa-se a idéia de que crente não deve chorar nem passar por
qualquer tipo de sofrimento. Crente deve ser próspero. A verdade, por
muitos desconhecida, é que a fidelidade a Deus não nos garante uma
vida livre de dores, aflições e sofrimento. Dizer que aos crentes e
fiéis dizimistas está garantia uma vida de flores, sem lágrimas, sem
luta espiritual, sem aperto financeiro, é conversa para boi dormir.
Jesus disse que seus seguidores deveriam carregar sua própria cruz,
caminhar por um caminho apertado e passar por uma porta estreita "No
mundo tereis aflições; na verdade todos os que desejam viver piamente
em Cristo padecerão perseguições" (Jo 16.33; 2 Tm 3.12). Era da
vontade de Deus que Paulo pregasse o evangelho em Roma. Apesar de sua
fidelidade a Deus, os caminhos lhe foram difíceis. Enfrentou
provações várias, naufrágio, tempestade, prisões.

Não podemos fazer ouvidos moucos à zombaria e piadas em torno
desse "outro evangelho". As pessoas tendem a nivelar todas as Igrejas
Evangélicas pelo que vê na televisão, ou pelo que vê num ou outro
culto. Eu pensaria da mesma forma se não fosse evangélico. É preciso
esclarecer a opinião pública sobre o que diz a Bíblia a respeito de
cada nova idéia extravagante. Que se façam ouvir as vozes e o
protesto dos líderes que defendem a pregação de um evangelho livre de
heresias e irracionalidade.

Sem conhecer a verdade bíblica se torna difícil detectar as heresias.
Ouça este conselho: não coma pela mão dos outros, mas examine você
mesmo se o que o seu pastor prega está de acordo com a Palavra. Se
você não estiver devidamente preparado para esse exame, consulte
outros irmãos. 19.01.2004

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