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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

JUDAÍSMO

Há 4.000 anos, na região onde hoje fica o Iraque, Abraão e Sara fazem uma aliança com o Deus Único. Seu filho Isaque, seu neto Jacó e seus 13 bisnetos são fiéis à Aliança e formam o Povo Hebreu e a Religião Judaica. Tendo migrado em busca de melhores condições de vida, seus descendentes acabam sendo feito escravos no Egito. Em 1250 a.C., sob a liderança de Moisés, alcançam a libertação e passam a viver no deserto, caminhando por 40 anos rumo à Terra Prometida.
Chegando a Canaã, o povo se organiza em 12 tribos, vivendo um longo período de conflito e troca religiosa e cultural com os povos que já habitavam aquelas terras. Por volta do ano 1.000 a.C. organizam o Reino de Israel, período próspero em que reis como Davi e Salomão constroem o Templo e ampliam o domínio israelita. Nessa época atua Elias e a maioria dos profetas, e surgem as histórias bíblicas da Criação, do Dilúvio, dos Patriarcas e do Êxodo.
No entanto, divisões internas e ataques estrangeiros levam à decadência do Reinado. Em 722 a.C. Israel sofre a invasão dos Assírios, e em 539 a.C. da Babilônia, quando o Templo é destruído e o povo é levado ao Exílio. A partir daí, embora um curto período de independência tenha permitido a reconstrução do Templo e a reorganização da religião, novos Impérios estrangeiros dominariam Israel, culminando na sua definitiva destruição no ano 70 d.C. pelos romanos. Tem início então a Diáspora, com os judeus se espalhando pelo mundo.
A ascensão do Cristianismo e do Islamismo dá início a uma longa história de quase dois mil anos de perseguição aos judeus. Seu ápice seria o Holocausto, já no século XX, onde são assassinados seis milhões de judeus, vítimas do Nazismo. Em 1948 surge o moderno Estado de Israel, que abriga hoje 1/3 dos judeus do mundo. O templo de Jerusalém, destruído no ano 70 pelos romanos, jamais seria reconstruído. No seu lugar existe hoje uma mesquita muçulmana.
O centro da fé judaica é a Aliança do Povo Eleito com o Deus Único, testemunhada na Bíblia Hebraica - o Antigo Testamento do cristianismo. Os judeus crêem que a história terminará com a vinda do Messias e a instauração do Reino de Deus. Na vida de fé diária, destaque para a ética de amor ao próximo, a celebração do Dia de Descanso, a circuncisão, a leitura da Bíblia e as orações nas Sinagogas e a celebração de festas como o Pessach (Páscoa ou libertação do Egito), Yom Kippur (Perdão) e Sukkot (Festas Tendas ou caminhada pelo deserto).
No diálogo com o cristianismo, há conflitos devido ao preconceito anti-semita e ao triunfalismo das duas religiões, tanto na idéia de “Povo Eleito” quanto na salvação exclusiva em Jesus. Para cristãos, Jesus é um “divisor de águas” da História, o Salvador do mundo, e embora seja aguardada a definitiva vinda do Messias, crê-se que Jesus já inaugurou o Reino de Deus, o que judeus não podem aceitar.
O que aproxima Judaísmo e Cristianismo são as histórias e a teologia do Antigo Testamento. Jesus e os primeiros cristãos eram judeus e prestavam culto ao mesmo Deus Único de Abraão e Sara, orando e lendo a bíblia hebraica nas sinagogas. O Novo Testamento diz que judeus “antecipam” a fé cristã, apresentando Abraão como exemplo de crente justificado por graça e fé. Esse testemunho é um convite para que, assim como Jesus não se deixou prender às tradições judaicas e universalizou o amor de Deus, nem cristãos nem judeus tentem aprisionar Deus na igreja ou na sinagoga.

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