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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Mulher de Foros de Salvaterra diz que é vítima de magia negra

Acontecimentos estranhos sucederam-se na vida de Maria nos últimos anos

Maria do Rosário Bolieiro, 44 anos, vive desde sempre em Foros de Salvaterra, concelho de Salvaterra de Magos. No sábado, 6 de Outubro, encontrava-se a adubar uma planta que tem no quintal da sua casa térrea quando reparou num saco de plástico verde enterrado na terra. Quando o puxou viu uma guita branca com vários nós. Ao perceber que algo de estranho se passava, decidiu chamar o irmão Manuel Bolieiro, 35 anos. Após ter-se deslocado ao local, retirou o saco da terra e pô-lo no chão. Examinou o conteúdo que continha duas fotografias de dois sobrinhos seus e uma foto do cunhado que já faleceu, esposo de Maria, e uma outra de sua irmã, dona da casa. O saco continha ainda quatro dentes de alho, sal, pimenta e um pó amarelo por identificar. Constava ainda uma imagem cristã cortada na diagonal em forma de cruz.
As fotos estavam recortadas pela silhueta. À de Maria foram furados os olhos. A um dos seus filhos cortaram os braços e a foto da filha foi cortada pela zona do pescoço. “Nem toda a gente tem acesso a estas fotos antigas”, constata Manuel Bolieiro.
Maria vive no desespero. O marido faleceu devido a problemas respiratórios. “Sentiu-se mal e morreu na ambulância 40 minutos depois chegando já sem vida ao hospital” lembrou Maria, que vive de 128 euros da pensão de viuvez e é, entretanto, ajudada pelo irmão. Lavada em lágrimas, vincou que não é a primeira vez que é alvo de acontecimentos estranhos. O primeiro acto foi por si testemunhado há cerca de cinco anos. Escusou-se, no entanto, a falar sobre o assunto. O segundo episódio faz dois anos pelo Natal. Maria conta que foi agredida por dois desconhecidos encapuzados em pleno cemitério de Foros de Salvaterra. A roupa que vestia foi toda cortada com uma navalha ao pé das campas do marido e do pai. Nessa ocasião, a vítima decidiu apresentar queixa na GNR de Salvaterra de Magos.
No último Natal, ao chegar ao cemitério com a mãe do seu genro, encontrou as cinco pedras que estavam em cima da campa com as letras para baixo. “Não há explicação”, diz lavada em lágrimas. “Não tenho medo. Tenho pena é de não ter visto quem fez isto. Não posso dizer quem é, porque provas não existem, mas quase que sei quem é. Tenho uma foto minha de solteira que está neste acto que sei a quem a dei”, referiu Maria que se escusou a revelar o nome da pessoa.

Sociólogo explica que é um caso de magia negra

Para o sociólogo e investigador de práticas mágico-religiosas, Garrucho Martins, a descrição da ocorrência de Foros de Salvaterra encontra-se incluída numa prática de magia negra. “Ao contrário da magia branca, vocacionada para fazer o bem, uma das características da magia negra é a agressão. Todo o simbolismo dos objectos e do ritual descrito está sem dúvida ligado à morte. O fechar o saco e os nós simbolizam acabar com a vida. É certo que existem vários graus na magia negra, tais como ter azar na vida, azar nos negócios ou na saúde. No limite, é feita para provocar a morte”, explica o sociólogo de Almeirim.
Garrucho Martins refere também que este ritual, com um simbolismo vincadamente popular, tem alguma eficácia nas pessoas. “Ao deixá-las impressionadas, angustiadas e nervosas, pode muitas vezes levar a que a profecia se concretize, porque os visados conseguem desde logo descodificar o seu significado ao perceberem que se trata de um ritual de magia negra”, justifica o sociólogo. Acrescenta que este tipo de práticas não está muito generalizado e é normalmente usada em conflitos familiares.

Fonte: O Mirante - Diário On line

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