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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O Judaísmo

“Ouve, Israel, Yahweh, nosso Deus, Yahweh é único. Amarás, pois, a Yahweh, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.” (Deut. 6:4,5 )

I - Histórico

O Judaísmo é uma das religiões mais antigas da humanidade. Não há muitos dados arqueológicos para se reconstituir concretamente sua história. A única fonte que temos é a literatura sagrada desse povo: o Tanach. A espinha dorsal do Judaísmo resume-se na existência de um Deus Único, que escolheu um povo, estabelecendo com ele uma aliança. Assim, todos os aspectos que envolvem esse povo, suas vitórias e fracassos, são vistos como a ação direta desse Deus.

  • O Patriarcado
  • A Escravidão e Êxodo
  • O estabelecendo-se como Nação
  • A monarquia unida e dividida
  • O cativeiro babilônico
  • A diáspora (dispersão)
  • Influência helenística

Os Judeus estão espalhados mundo afora. De acordo com as estimativas, há cerca de 17 milhões de judeus no mundo, distribuídos da seguinte forma ( dados aproximados):

  • 5,5 milhões no Estado de Israel
  • 7 milhões no continente americano ( a maioria vive nos Estados Unidos)
  • 2,5 milhões no continente europeu
  • 1,5 milhão em outros territórios

O Judaísmo está dividido em quatro correntes principais:

1- Ortodoxo

  • Crê que o Tanach assim como o Talmud (compilação da Tradição Oral), foram inspirados por Deus, e dados a Moisés simultaneamente.
  • Crê firmemente na vinda do Mashiach (Messias).
  • Acredita na reencarnação (somente para judeus).

2 - Conservador

  • Teve início no século XVIII com o Iluminismo.
  • Rejeita grande número de práticas judaicas tradicionais.
  • Submete-se a preceitos bíblicos, desde que estes atendam às exigências modernas da vida judaica.
  • Não crê em toda a Tradição Oral.

3 - Reformista (ou Progressista, Liberal)

  • Teve início na Alemanha, no século XIX, por influência do luteranismo racionalista.
  • Prega a fusão da cultura judaica com a ocidental.
  • Considera ultrapassadas as leis que dizem respeito à pureza familiar, vestimenta e dieta alimentar.
  • Não crê na vinda do Messias.

4 - Reconstrucionista (ou Ultra-Liberal)

  • Movimento iniciado nos EUA, nas primeiras décadas deste século.
  • Não crê na Torá como Palavra de Deus tampouco no Talmud.
  • Diferentemente dos outros grupos judaicos incentiva o casamento misto.
  • Ordena mulheres, homossexuais e transexuais ao rabinato.

II - Escrituras

O conjunto da literatura judaica chama-se Tanach, que é um acróstico para designar as três partes em que está dividida, a saber:

  • Torá (Lei): Em sentido estrito refere-se aos cinco primeiros livros atribuídos a Moisés, ou seja, ao Pentateuco (heb: Chumash): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio; em sentido amplo, pode indicar a Tanakh.
  • Nevi’im (Profetas): Abrange os Profetas Anteriores: Josué, Juízes, Samuel e Reis e os Profetas Posteriores: Isaías, Jeremias e Ezequiel e os Doze.
  • Ketuvim (Escritos): São os Salmos, Provérbios, Jó (obras poéticas), Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Ester, Eclesiastes (Meguilot = rolos), Daniel, Esdras/Neemias, Crônicas. Observação: Essa divisão é anterior à era cristã (Eclesiástico 1:1).

III - Deus

A fé judaica é essencialmente monoteísta ( monoteísmo absoluto). Sua concepção da unicidade de Deus leva-a a rejeitar a crença cristã na doutrina da Trindade, afirmando que esta deturpa o monoteísmo bíblico. Diz, assim como os muçulmanos, que os cristãos inventaram a Trindade ou a copiaram da idolatria pagã.

IV - Jesus Cristo

Tratava-se de mais um candidato ao título de “messias”; porém, não passava de um “pacifista essênio”*.A visão do Judaísmo sobre a pessoa de Jesus Cristo é demonstrada no livro O Judaísmo Vivo, escrito pelo judeu ortodoxo, escritor e antropólogo Michael Asheri*.

Qualquer exame da pretensa dívida que o cristianismo tem com o judaísmo estaria fora de lugar neste livro. Na opinião de um bom número de estudiosos, não poucos deles gentios, ela pode ser resumida na frase mordaz de Israel Zangwill: ‘Raspe-se um cristão e encontra-se um pagão... estragado’(...) Com freqüência, não-judeus perguntam a judeus: ‘Qual é a atitude judaica com relação a Jesus?’A resposta honesta a essa pergunta é: ‘A atitude judaica para com Jesus é exatamente a mesma que a atitude cristã para com Maomé’. (...) Essa atitude, com modificações no grau de conhecimento, descreve a visão que os judeus têm de Jesus. Sabemos que ele viveu e temos uma vaga idéia do que pregou, mas é só. A idéia disseminada de que os judeus, embora rejeitando a reivindicação de Jesus à divindade, consideram-no um grande mestre e uma figura moral é completamente falsa. Não aceitamos suas reivindicações e somos indiferentes a seus ensinamentos; simplesmente não estamos interessados nele ou no que disse, assim como os cristãos não estão interessados em Maomé.

Quanto ao Novo Testamento, os judeus que se deram ao trabalho de lê-lo descobriram estar em desacordo com grande parte do que ele contém.

Os judeus ortodoxos incluem os missionários entre os inimigos dos judeus? “Certamente incluímos, e nenhuma organização engajada em atividade missionária junto aos judeus pode receber apoio e simpatia de nossa parte”.

V - Espírito Santo

Segundo o pensamento judaico, o Espírito Santo é apenas uma boa influência divina; “mais uma forma dos poderes mediadores de Deus em relação ao homem e é semelhante, tanto em significado quanto em função, à Shechiná ( Presença Divina)...”. Este não atua mais no mundo, pois secou-se a fonte de inspiração profética com o último dos Profetas menores.

VI - Salvação

A salvação depende da estrita obediência às leis da Torá ( 613 mandamentos) e da tradição judaica. Já diz o adágio rabínico “O Costume de Israel é Lei”.

VII - Vida após a morte

O judaísmo prega a sobreviência da alma após a morte física e o Dia do Juízo Final. Antes do Juízo, porém, os judeus que morreram na fé, mas não alcançaram o padrão divino de obediência à Torá podem reencarnar “segundo o estado de sua alma.” As almas dos judeus que morreram infiéis à sua religião são enviadas ao Gueihinôm ( Geena), onde passam por um processo de purificação (que dura, no máximo, um ano). Depois disso, saem de lá e vão habitar com de Deus.

VIII - Aspectos Positivos

  • O conceito ético do pecado contra Deus
  • A importância dada aos deveres sociais e religiosos de uns para com os outros.
  • A relação direta entre Deus e a pessoa.
  • A preocupação com a educação religioso das crianças e jovens.
  • Sua esperança num futuro melhor.

IX - Aspectos Negativos

  • Seu exclusivismo.
  • Sua pretensão de ser o povo preferido de Deus.
  • Sua segurança numa lei ultrapassada que não admite progresso.
  • Seu legalismo e formalismo excessivos.

X - Informações Adicionais

  • Símbolos nacionais - a Menorá (lit.: suporte para lâmpadas); o candelabro de sete braços, que teria sido fabricado segundo a orientação divina (Êxodo 37:17); e a Estrela de Davi (Maguen David), que nada mais é do que um hexagrama formado por dois triângulos eqüiláteros.

Aldo Menezes e Rogério Portella
Fonte: AGIR - Agência de Informações Religiosas

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