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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Vilões de 'Indiana Jones e o Templo da Perdição' eram seita real de assassinos

Thuggees, que agiram na Índia do século 14 ao 19, teriam matado dezenas de milhares.
Grupo praticava latrocínio como forma de ritual; historiadores debatem elo com deusa hindu.

Eles não comiam cérebro de macaco nem desenvolveram técnicas para arrancar o coração da vítima ainda batendo, mas os thuggees, vilões do filme "Indiana Jones e o Templo da Perdição", realmente aterrorizaram a Índia durante séculos. E são motivo de um ferrenho debate acadêmico entre os historiadores: seriam meros latrocidas, assassinos focados inteiramente no lucro, ou uma seita fanática?

Foto: paia
Os thuggees retratados numa gravura de 1857 do jornal britânico "Illustrated London News" (Foto: Reprodução)

Apesar do ambiente fantasioso, a segunda aventura do arqueólogo vivido por Harrison Ford até que menciona algumas informações historicamente confiáveis sobre os thuggees (algo como "ladrão" ou "pilantra" em hindi). Ao chegar a um palácio indiano nos anos 1930, época em que os britânicos governavam a região, Indy e sua trupe ouvem rumores de que os thuggees teriam voltado a agir, embora o grupo de bandidos tivesse sido oficialmente eliminado por volta de 1870.
De fato, no começo do século 19, a vilania dos thuggees se tornou legendária no Império Britânico. Eles chegaram até a ser incorporados ao vocabulário da língua inglesa, inspirando a palavra thug, muito utilizada hoje para designar capangas ou bandidos violentos de baixa extração.

Origens antigas

Mas o grupo, ao que tudo indica, surgiu muito antes do Raj britânico (nome dado ao domínio do Reino Unido na Índia). Crônicas medievais do século 14 falam dos assassinatos praticados pelos thuggees e do fato de que um sultão indiano os expulsou de seu território, sem, no entanto, prendê-los. A partir daí, acredita-se que os thuggees tenham agido de forma relativamente impune durante séculos.
A técnica de latrocínio do grupo envolvia ganhar a confiança de viajantes incautos e acompanhá-los por dezenas ou até centenas de quilômetros, até o momento favorável para o ataque. Os viajantes eram, então, estrangulados com lenços ou guardas, despojados de todos os seus pertences e enterrados em locais secretos.
E é aí que começa a polêmica. Vários relatos se referem ao uso que os thuggees faziam de certos rituais religiosos específicos durante seus crimes. Os principais envolviam a consagração da picareta usada para escavar os túmulos das vítimas, bem como o sacrifício de torrões de açúcar não-refinado, à deusa hindu Kali (também citada na aventura de Indiana Jones).

Foto: paia
Kali
A feroz deusa hindu Kali em pintura do século 19 (Foto: Reprodução)

Divindade feroz

Em muitas tradições do antigo hinduísmo, Kali é retratada como uma deusa ferocíssima, associada à morte e à violência. Ela carrega um colar de cabeças decapitadas e, em algumas pinturas, aparece dançando sobre o cadáver de seu próprio marido, Shiva.
Durante o domínio britânico, muitos tendiam a atribuir os assassinatos em série cometidos pelos thuggees a uma espécie de devoção fanática por Kali. Alguns historiadores modernos aceitam o elemento religioso na formação dos thuggees, mas dizem que há poucas diferenças práticas entre as crenças deles e as populações que predavam. Outros, no entanto, apontam o fato de que a "profissão" de thuggee passava geralmente de pai para filho, ou lembram que era só era possível "aprendê-la" com um guru -- traços de uma espécie de dever religioso.
De qualquer maneira, a fé em Kali não ajudou muito os thuggees quando o poderio do Raj britânico se voltou contra eles. Ao longo dos anos 1830, o funcionário britânico William Sleeman conduziu a primeira grande investigação criminal contra o grupo. Mais de 3.000 thuggees foram presos, sendo executados ou exilados. Membros da própria seita foram usados como informantes -- entre eles Behram, considerado o maior serial killer da história, com mais de 900 mortes na sua ficha.

Fonte: G1


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