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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Apologética no Século XXI

Apologética no Século XXI S. Michael Craven
 
Como eu argumento em Uncompromised Faith: Overcoming Our Culturalized Christianity (Fé Descomprometida: Superar a Influência da Cultura no Cristianismo), o estudo histórico da apologética cristã é essencial para qualquer pessoa que professa ser um seguidor de Cristo. Sem me aventurar no debate sobre as apologéticas clássica, de pressupostos, e probatória, deixe-me dizer que penso que os elementos de cada um são úteis e não são necessariamente mutuamente exclusivas. Então, quando eu uso a expressão "apologética histórica cristã", refiro-me colectivamente a estas três escolas primárias do pensamento.
Por razões de clareza, a apologética clássica "releva os argumentos racionais para a existência de Deus e evidências históricas para suportar a verdade do Cristianismo" (Norman L. Geisler, Baker Enciclopédia de Apologética Cristã [Grand Rapids, MI: Baker Books, 2002], 154). A apologética de pressupostos é diferente, na medida em que "defende o Cristianismo tendo como ponto de partida certas pressuposições básicas" (Geisler, 607), nomeadamente que todas as pessoas pressupõem ou assumem certas explicações sobre a realidade, que surgem a partir da sua visão do Mundo. Nesta apologética, o cristão apresenta a verdade do cristianismo expondo a falácia das visões do Mundo alternativas, que, em última instância, o céptico sabe servirem apenas para suprimir a verdade, reconhecida por ele como tal no seu coração. Finalmente, a apologética probatória salienta a necessidade de primeiro demonstrar logicamente a existência de Deus antes de defender a verdade do Cristianismo. Escusado será dizer que, até certo grau, todas estas são vitais para o cristão de apreender e ser capaz de comunicar.
No entanto, em função da nossa condição pós-moderna, gostaria de enfatizar a necessidade do que eu chamo de apologética “cultural”. (Os elementos desta abordagem são detalhados no livro Uncompromised Faith). Em suma, uma apologética cultural aplica-se a duas frentes intelectuais. A primeira remete-se às ideias ou influências ideológicas comuns a uma determinada cultura. Estas ideias moldam sub-repticiamente o nosso pensamento de uma maneira osmótica, tal como a água em que um peixe nada: o peixe não pensa minimamente na água, toma-a simplesmente por garantida. É o caso das ideias comuns à nossa cultura. Elas são o ar que respiramos, e por isso mal pensamos nelas – mas a sua influência nos nossos pensamentos, se não controlada, é formidável.
A segunda frente diz respeito a questões sociais e às ideias ou visões do Mundo que lhes estão subjacentes. Estas são mais frequentemente expressas nos debates culturais sobre questões morais e éticas, tais como o aborto, o casamento entre o mesmo sexo, o feminismo e a homossexualidade, para citar apenas alguns. As respectivas posições representam muitas vezes visões contrárias à realidade e à natureza do Homem; ainda assim, é a perspectiva moral que ganha aceitação social – incluindo a sua visão do Mundo subjacente – que tende a formar a opinião consensual da realidade.
No entanto, não é suficiente possuir simplesmente uma compreensão intelectual dessas duas frentes ideológicas; uma apologética cultural depende, em última instância, de uma abordagem missionária à cultura em que nos situamos, se esperamos confrontar e subverter efectivamente estas ideias. Actualmente, temos a tendência de lançar "granadas de mão cristãs" que entram ocasionalmente na nossa cultura para apresentar os nossos argumentos partidários a favor da verdade do Cristianismo, e, de seguida recuar para nossas igrejas, assim que tivermos acabado. Ser missionário significa esforçarmo-nos por desenvolver relações reais e significativas com aqueles que Deus, na Sua providência, trouxe às nossas vidas – para primeiro mostrarmos o amor de Cristo, e depois estarmos preparados para respondermos pela esperança que está em nós. Significa ouvirmos mais do que falarmos; perguntarmos e respondermos a perguntas, e expandirmos as nossas conversas para incluirmos mais do que apenas religião; e quando falamos – por favor! – falemos em linguagem normal, não em “cristianês”.
O cristão missionário prensa o Mundo onde quer que ele esteja, e empurra as trevas com o amor de Cristo. O cristão missionário empenha-se em conhecer e amar realmente o seu próximo, não por obrigação, mas porque ele ama as pessoas, tal como Cristo instruiu. Isto inclui aqueles vizinhos que são diferentes, difíceis, ou mesmo categoricamente antipáticos. E, sim, isto inclui o próximo que tem visões políticas e estilo de vida muito diferentes.
Por outras palavras: procurarmos realmente interagir e desenvolver relações com os perdidos. Significa convidarmos pecadores a entrar na nossa vida. Significa suportar a sua irreverência e linguagem grosseira. Significa amá-los como Cristo os ama. Sem reservas. Isto é o que significa ser missionário. Se você se considera um cristão, é o que você já é – um seguidor de Cristo largado em missão num território hostil. Se você está apetrechado de uma compreensão das barreiras culturais e sociais que inibem o acolhimento do Evangelho e emprega esta abordagem missionária, tem um longo caminho para demonstrar a relevância de Cristo e da Sua mensagem ao mundo incrédulo. Para saber mais sobre Uncompromised Faith, visite: www.UncompromisedFaith.com.

Diário Cristão

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